Em todo o lado e em lugar algum
Ontem, como hoje, os portugueses são utópicos sonhadores que aspiram sempre a tudo, em todo o lugar, pelo que quando atingidos pela realidade de não terem conseguido lá chegar (quem pode mesmo alcançar tamanha façanha?), melancolizam as suas emoções e remetem-se para o lado oposto, o mais céptico e resignado da personalidade humana.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Conservadores ? — Parte II
Continuando o tema do meu último texto, resolvi abordar, desta feita mais em detalhe, as razões do conservadorismo que reina em Portugal, as suas origens e porquês.
Muitos apontam a predominância da Igreja Católica sobre os governantes portugueses dos últimos séculos, a obediência cega aos ditames de Roma a que por isso fomos sujeitos, como o principal entrave a uma cultura menos conservadora. Uma espécie de força de bloqueio que impediu qualquer avanço do espírito, da cultura e da ciência de Portugal, fora do mais exigente cânone católico. O próprio Fernando Pessoa, escreveu sobre o facto algumas críticas veementes, como é exemplo o mais recente texto inédito, sobre a temática das aparições em Fátima.
De facto, mesmo não sendo um especialista na matéria, parece-me do conhecimento comum que, pelo menos desde a inquisição, a força da Igreja Católica sobre os destinos do povo português, foi grande, como aconteceu aliás, noutras partes da Europa. Esta proximidade, esta intromissão e promiscuidade com os governantes, foi obviamente do interesse de Roma, que assim estendia o seu invisível braço de poder e arrecadava, superiores receitas (terrenas). Podemos então sentirmo-nos usados? Vítimas do conservadorismo romano?
Não será tanto assim. Honestamente, Portugal tirou também partido dessa relação próxima, tornando-a quase simbiótica. Desde logo, as boas graças da Igreja de Roma, serviram como salvaguarda de incalculável valor na garantia da independência nacional, protegendo-nos do vizinho espanhol sempre à espreita, aguardando por uma fresta e uma debilidade nesta tira de terras à beira do Atlântico. Acresce a vertente moral, que apesar de conservadora e baseada num temor religioso exacerbado, ajudou a manter o país, intrinsecamente ingovernável e desordeiro (devido às origens e misturas de povos, apresentadas no último texto), coeso.
Uma fé única, ainda que regida por estrangeiros e de forma despótica em alguns períodos, foi essencial para manter a união deste povo, deste pais em formação.
Não se leia que concordo com uma ditadura de qualquer espécie, politica ou religiosa, pelo contrário, mas há apenas que reconhecer que muito do que somos hoje, o bom e o mau, devemos em parte à Igreja que quer na monarquia, quer em grande parte da república, esteve ao lado do poder de Portugal, mantendo o país unido. E isto não é de subestimar, se atentarmos nos demais exemplos europeus, recheados de querelas internas.
Esta breve análise, não pretende mostrar o conservadorismo português, chegado até aos dias de hoje, como uma inevitabilidade. Pretende apenas que se perceba parte da sua origem e que se entenda que nem tudo foi perdido nessa cedência à moral católica, romana. A força do clero, foi do interesse de uma sociedade que foi conservando certos preceitos, para se preservar ela própria, de imprevisibilidades de porte pouco mensurável.
Agora, há 34 anos com uma república que se vai desligando da Igreja Católica, com um povo que parece concentrar o seu fervor religioso apenas nos dias 13 dos meses de Maio e Outubro, não restam amarras nem desculpas para que aos poucos e poucos, as mentes e as almas dos portugueses não procurem soltar-se. Arriscar, sair da cadeira e fazer as coisas grandes que lhe estão destinadas. Não cortando com tudo o que foi esta história nossa, mas pensando apenas que outra mais corajosa poderá ser novamente escrita.
Muitos apontam a predominância da Igreja Católica sobre os governantes portugueses dos últimos séculos, a obediência cega aos ditames de Roma a que por isso fomos sujeitos, como o principal entrave a uma cultura menos conservadora. Uma espécie de força de bloqueio que impediu qualquer avanço do espírito, da cultura e da ciência de Portugal, fora do mais exigente cânone católico. O próprio Fernando Pessoa, escreveu sobre o facto algumas críticas veementes, como é exemplo o mais recente texto inédito, sobre a temática das aparições em Fátima.
De facto, mesmo não sendo um especialista na matéria, parece-me do conhecimento comum que, pelo menos desde a inquisição, a força da Igreja Católica sobre os destinos do povo português, foi grande, como aconteceu aliás, noutras partes da Europa. Esta proximidade, esta intromissão e promiscuidade com os governantes, foi obviamente do interesse de Roma, que assim estendia o seu invisível braço de poder e arrecadava, superiores receitas (terrenas). Podemos então sentirmo-nos usados? Vítimas do conservadorismo romano?
Não será tanto assim. Honestamente, Portugal tirou também partido dessa relação próxima, tornando-a quase simbiótica. Desde logo, as boas graças da Igreja de Roma, serviram como salvaguarda de incalculável valor na garantia da independência nacional, protegendo-nos do vizinho espanhol sempre à espreita, aguardando por uma fresta e uma debilidade nesta tira de terras à beira do Atlântico. Acresce a vertente moral, que apesar de conservadora e baseada num temor religioso exacerbado, ajudou a manter o país, intrinsecamente ingovernável e desordeiro (devido às origens e misturas de povos, apresentadas no último texto), coeso.
Uma fé única, ainda que regida por estrangeiros e de forma despótica em alguns períodos, foi essencial para manter a união deste povo, deste pais em formação.
Não se leia que concordo com uma ditadura de qualquer espécie, politica ou religiosa, pelo contrário, mas há apenas que reconhecer que muito do que somos hoje, o bom e o mau, devemos em parte à Igreja que quer na monarquia, quer em grande parte da república, esteve ao lado do poder de Portugal, mantendo o país unido. E isto não é de subestimar, se atentarmos nos demais exemplos europeus, recheados de querelas internas.
Esta breve análise, não pretende mostrar o conservadorismo português, chegado até aos dias de hoje, como uma inevitabilidade. Pretende apenas que se perceba parte da sua origem e que se entenda que nem tudo foi perdido nessa cedência à moral católica, romana. A força do clero, foi do interesse de uma sociedade que foi conservando certos preceitos, para se preservar ela própria, de imprevisibilidades de porte pouco mensurável.
Agora, há 34 anos com uma república que se vai desligando da Igreja Católica, com um povo que parece concentrar o seu fervor religioso apenas nos dias 13 dos meses de Maio e Outubro, não restam amarras nem desculpas para que aos poucos e poucos, as mentes e as almas dos portugueses não procurem soltar-se. Arriscar, sair da cadeira e fazer as coisas grandes que lhe estão destinadas. Não cortando com tudo o que foi esta história nossa, mas pensando apenas que outra mais corajosa poderá ser novamente escrita.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Conservadores?
Portugal é um país conservador. E com esta frase no prólogo, poderia terminar o texto que tento principiar. Ao afirmá-lo, pareço não levantar dúvidas sobre o facto.
E haverá dúvidas sobre o facto?
Com uma génese revoltosa, revolucionária, Portugal nasceu de espada na mão. Na mão de condes e afiliados, vindos do centro da Europa movidos pela ambição. Buscavam a glória da reconquista desta réstia de território mouro, buscavam certamente novas terras para onde estender a sua influência. As posses aumentavam o poder da nobreza e um condado na Europa mais ocidental, não era de menor valor.
Conseguiram esses nobres, esses proto-portugueses, já na geração seguinte, libertarem-se do jugo daqueles a quem tinham vindo ajudar e fazer deste canto de terras, um pedaço independente. Uma óbvia traição para eles, uma espécie de libertação, para nós. Por curiosidade, o país nasceu no território norte da península ibérica, por sinal, também o mais acidentado, orograficamente falando.
Para começo, nada conservadores.
Quando as fronteiras ficaram definitivamente fechadas a sul, no Algarve, Portugal era uma mescla única de gente das mais variadas origens e com todo o tipo de credos. Éramos descendentes de celtas, de visigodos, de suevos, de mouros do norte de África e Árabes da Arábia mais longínqua e havia por todo o lado resquícios da presença romana e de outras pontuais incursões de fenícios, judeus e outros. Um caldeirão de gente, liderada por uma elite do centro da Europa, loira e de pele clara.
Viria mais tarde a expansão marítima, enormes riscos corridos em mares desconhecidos, lugares onde barcos nunca tinham chegado e novos mapas a serem traçados. Tudo menos conservadores.
Da não existência, em poucos séculos passámos a um país soberano e com um Império sob o seu comando. Uma epopeia constante.
Daí em diante esse espírito bravo e conquistador, corajoso e de permanente insatisfação perante os seus feitos, foi esmorecendo e caímos numa letargia atroz. Neste estado de alma que facilmente um estrangeiro aqui chegado nos detecta. Isso que se resume a um muito querer, sentado e olhando longe, mas sem tirar o peso do corpo do lugar cómodo, ali permanecendo, agoirando sobre os ditames que nos impedem de sair, maldizendo e intrujando sobre desculpas falhas.
Porquê? Porque queremos nós conservar este pedaço de calma à beira mar plantado, sem sobressalto, sem arriscar algo mais, algo maior? Nem andamos para a frente, nem caímos definitivamente para trás, ficamos apenas aqui, conservando os ritos, os mitos, os lugares, as famílias, tudo isso que merecendo ser conservado, não deveria ser o motivo da nossa vida.
E haverá dúvidas sobre o facto?
Com uma génese revoltosa, revolucionária, Portugal nasceu de espada na mão. Na mão de condes e afiliados, vindos do centro da Europa movidos pela ambição. Buscavam a glória da reconquista desta réstia de território mouro, buscavam certamente novas terras para onde estender a sua influência. As posses aumentavam o poder da nobreza e um condado na Europa mais ocidental, não era de menor valor.
Conseguiram esses nobres, esses proto-portugueses, já na geração seguinte, libertarem-se do jugo daqueles a quem tinham vindo ajudar e fazer deste canto de terras, um pedaço independente. Uma óbvia traição para eles, uma espécie de libertação, para nós. Por curiosidade, o país nasceu no território norte da península ibérica, por sinal, também o mais acidentado, orograficamente falando.
Para começo, nada conservadores.
Quando as fronteiras ficaram definitivamente fechadas a sul, no Algarve, Portugal era uma mescla única de gente das mais variadas origens e com todo o tipo de credos. Éramos descendentes de celtas, de visigodos, de suevos, de mouros do norte de África e Árabes da Arábia mais longínqua e havia por todo o lado resquícios da presença romana e de outras pontuais incursões de fenícios, judeus e outros. Um caldeirão de gente, liderada por uma elite do centro da Europa, loira e de pele clara.
Viria mais tarde a expansão marítima, enormes riscos corridos em mares desconhecidos, lugares onde barcos nunca tinham chegado e novos mapas a serem traçados. Tudo menos conservadores.
Da não existência, em poucos séculos passámos a um país soberano e com um Império sob o seu comando. Uma epopeia constante.
Daí em diante esse espírito bravo e conquistador, corajoso e de permanente insatisfação perante os seus feitos, foi esmorecendo e caímos numa letargia atroz. Neste estado de alma que facilmente um estrangeiro aqui chegado nos detecta. Isso que se resume a um muito querer, sentado e olhando longe, mas sem tirar o peso do corpo do lugar cómodo, ali permanecendo, agoirando sobre os ditames que nos impedem de sair, maldizendo e intrujando sobre desculpas falhas.
Porquê? Porque queremos nós conservar este pedaço de calma à beira mar plantado, sem sobressalto, sem arriscar algo mais, algo maior? Nem andamos para a frente, nem caímos definitivamente para trás, ficamos apenas aqui, conservando os ritos, os mitos, os lugares, as famílias, tudo isso que merecendo ser conservado, não deveria ser o motivo da nossa vida.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Educação de Portugal
O messianismo é transversal a todos os povos com fé, a todas as religiões. É um lugar comum, esperar que uma divindade descida de algures venha resgatar os ímpios das suas perdições, os doentes das suas maleitas, os desamparados da sua solidão, os vencidos das suas derrotas. É um lugar confortável.
Na minha opinião, Portugal é um verdadeiro caso de estudo neste campo, porque há séculos que se encontra à espera. Apesar de poder parecer para aqueles que nos olham de fora, que continuamos a viver, a verdade é que parte do nosso presente está sempre nessa atitude prostrada, nesse olhar estacionariamente absorto no amanhã.
É este o nosso devir mais profundo e destas profundezas temos de ser resgatados. Ansiamos mudar mas não nos deslocamos. Não gostamos do que somos mas nada fazemos para ser algo diferente.
A Educação em Portugal é um exemplo deste tipo de atitude.
Há longos anos que se vem degradando a qualidade do ensino básico. A exigência diminui, as facilidades alastram e o que importa não é aquilo que os nossos jovens sabem, nem tão pouco aquilo que lhes ensinamos, mas o grau de escolaridade que atingem. O número de anos, o título, a aparência de que são instruídos como nos países modelo, mesmo que pouco saibam.
A machadada final, prevê-se com facilidade, será a promoção do 12º ano como o limite da escolaridade obrigatória, estendendo por mais 3 anos a regra do “deixa-passar”, da ausência de chumbos por faltas, a impunidade da má educação e indisciplina, etc…
Mas porquê o messianismo como introdução deste texto sobre educação em Portugal?
Porque parece que vivemos num limbo durante décadas, onde ninguém parecia mostrar a sua oposição perante reformas sem propósito, levadas a cabo sem um fito, sem um fio condutor que guiasse a educação, onde de facto ela devia ir: ensinar e tornar culta as futuras gerações. Os professores, como os pais, os políticos, os pedagogos, quedaram-se impávidos, esperando que um dia chegasse um salvador que tudo resolvesse, num só acto sem hesitação.
Esse limbo findou com a recente manifestação de professores. Só de facto a Ministra, promovida a Anti-Cristo, pode acreditar que esta manifestação se ficou a dever exclusivamente à questão das avaliações. A verdade é que a tampa dos professores saltou, após um acumular de pressão muito superior ao que seria aconselhável. Os 100 mil de Lisboa podiam ser 1 milhão se contássemos todos os professores que nas últimas décadas foram vítimas de um sistema fragilizado, sem orientações nem objectivo digno desse nome. A Ministra foi apenas a última cara deste movimento, tendo-lhe valido a sua ousadia na prossecução de mais um corte em direcção a lado nenhum, para ter originado tamanho movimento.
Esta energia, entenda-se, é positiva! É um corte no marasmo. Um abanão nas mentes, como os vídeos do youtube, que dão uma violenta imagem dos relatos até aqui mudos e sem eco, mas igualmente reais.
É hora de falarmos sobre isto.
Quem queremos que seja a próxima geração de portugueses?
Educados, cultos, sabedores, socialmente conscientes e participativos?
Então está na hora de mudar, Portugal, porque nenhum messias virá da tirar-nos da bruma deste descalabro.
Na minha opinião, Portugal é um verdadeiro caso de estudo neste campo, porque há séculos que se encontra à espera. Apesar de poder parecer para aqueles que nos olham de fora, que continuamos a viver, a verdade é que parte do nosso presente está sempre nessa atitude prostrada, nesse olhar estacionariamente absorto no amanhã.
É este o nosso devir mais profundo e destas profundezas temos de ser resgatados. Ansiamos mudar mas não nos deslocamos. Não gostamos do que somos mas nada fazemos para ser algo diferente.
A Educação em Portugal é um exemplo deste tipo de atitude.
Há longos anos que se vem degradando a qualidade do ensino básico. A exigência diminui, as facilidades alastram e o que importa não é aquilo que os nossos jovens sabem, nem tão pouco aquilo que lhes ensinamos, mas o grau de escolaridade que atingem. O número de anos, o título, a aparência de que são instruídos como nos países modelo, mesmo que pouco saibam.
A machadada final, prevê-se com facilidade, será a promoção do 12º ano como o limite da escolaridade obrigatória, estendendo por mais 3 anos a regra do “deixa-passar”, da ausência de chumbos por faltas, a impunidade da má educação e indisciplina, etc…
Mas porquê o messianismo como introdução deste texto sobre educação em Portugal?
Porque parece que vivemos num limbo durante décadas, onde ninguém parecia mostrar a sua oposição perante reformas sem propósito, levadas a cabo sem um fito, sem um fio condutor que guiasse a educação, onde de facto ela devia ir: ensinar e tornar culta as futuras gerações. Os professores, como os pais, os políticos, os pedagogos, quedaram-se impávidos, esperando que um dia chegasse um salvador que tudo resolvesse, num só acto sem hesitação.
Esse limbo findou com a recente manifestação de professores. Só de facto a Ministra, promovida a Anti-Cristo, pode acreditar que esta manifestação se ficou a dever exclusivamente à questão das avaliações. A verdade é que a tampa dos professores saltou, após um acumular de pressão muito superior ao que seria aconselhável. Os 100 mil de Lisboa podiam ser 1 milhão se contássemos todos os professores que nas últimas décadas foram vítimas de um sistema fragilizado, sem orientações nem objectivo digno desse nome. A Ministra foi apenas a última cara deste movimento, tendo-lhe valido a sua ousadia na prossecução de mais um corte em direcção a lado nenhum, para ter originado tamanho movimento.
Esta energia, entenda-se, é positiva! É um corte no marasmo. Um abanão nas mentes, como os vídeos do youtube, que dão uma violenta imagem dos relatos até aqui mudos e sem eco, mas igualmente reais.
É hora de falarmos sobre isto.
Quem queremos que seja a próxima geração de portugueses?
Educados, cultos, sabedores, socialmente conscientes e participativos?
Então está na hora de mudar, Portugal, porque nenhum messias virá da tirar-nos da bruma deste descalabro.
sexta-feira, 7 de março de 2008
O debate faz-se, mas far-se-á?
Por estes dias, parece que se cruzam ideias sobre as nações. No caso, as nações nascidas do fim do nosso império. Quando uma coisa morre, outras nascem no seu lugar. Assim parece ter sido com o Império ultramarino português, que deu lugar a um conjunto de nações novas e dispersas, falantes do português, com saudade e outros maneirismos nossos.
E é disso que falam lá longe, na Praia, em Cabo Verde, por estes dias. Fiquei a sabê-lo quando de manhã chegava ao trabalho, não pelas ondas que batiam na praia, desfazendo-se em espuma, mas pelas ondas da rádio que me faziam chegar os “Sinais” de Fernando Alves.
Não sei sobre o que discorrem neste debate, mas o fim do império significa a génese de um novo mundo para essas pessoas, para nós, tão certo quanto era, presente continua a ser o vazio. O vazio não se queira crer que é de terras, ou de domínio. É um vazio na alma que enche os portugueses ao invés de os esvaziar. Enche-os e amarra-os ao seu lugar. Prende-os como que fazendo da gravidade a maior das leis do universo. Dificulta que se soltem.
Disto certamente não vão falar lá, porque se debatem pela sobrevivência esses novos reinos longínquos, como recém-nascidos que, ofegantes, antes querem para já o oxigénio, para só mais tarde poderem pedir o leite, o pão e a terra…
Este vazio é nosso. Temos que sair dele pelo pé do nosso caminho.
Ler mais sobre o debate:
(http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=331126&visual=26&tema=2)
Escutar a edição de 7 de Março de "Sinais":
http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp
E é disso que falam lá longe, na Praia, em Cabo Verde, por estes dias. Fiquei a sabê-lo quando de manhã chegava ao trabalho, não pelas ondas que batiam na praia, desfazendo-se em espuma, mas pelas ondas da rádio que me faziam chegar os “Sinais” de Fernando Alves.
Não sei sobre o que discorrem neste debate, mas o fim do império significa a génese de um novo mundo para essas pessoas, para nós, tão certo quanto era, presente continua a ser o vazio. O vazio não se queira crer que é de terras, ou de domínio. É um vazio na alma que enche os portugueses ao invés de os esvaziar. Enche-os e amarra-os ao seu lugar. Prende-os como que fazendo da gravidade a maior das leis do universo. Dificulta que se soltem.
Disto certamente não vão falar lá, porque se debatem pela sobrevivência esses novos reinos longínquos, como recém-nascidos que, ofegantes, antes querem para já o oxigénio, para só mais tarde poderem pedir o leite, o pão e a terra…
Este vazio é nosso. Temos que sair dele pelo pé do nosso caminho.
Ler mais sobre o debate:
(http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=331126&visual=26&tema=2)
Escutar a edição de 7 de Março de "Sinais":
http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp
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